Archive for the ‘Senta que lá vem a história’ Category

Período. Dias após a ascensão de Cristo, 30d.C.

Alcance. Judeus em Jerusalém

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Foram os três dias mais escuros. Parecia que a esperança havia se dissipado como a neblina. Como poderia o Messias estar morto? Não seria Ele a salvação de todo o mundo? Mas em meio as lágrimas, uma mulher viu um facho de luz raiar em seu coração: “Mulher, por que está chorando? Quem você está procurando?” O túmulo estava vazio! “Maria!” Desta vez era o próprio Jesus quem lhe dirigia a palavra. “ainda não voltei para o meu Pai.” E durante 40 dias, Ele apareceu aos seus queridos, renovou a fé, a esperança, ensinou acerca do reino, encorajou, deu direção, trouxe restauração para o espírito abatido. Não restavam mais dúvidas de que Ele estava vivo.

Agora, algo queimava em seus corações. Como aqueles dois no caminho de Emaús. Sentiam novamente aquela segurança, aquele amor. Sem falar das grandes expectativas! É que antes que fosse elevado aos céus, Jesus deu a seguinte direção, que permanecessem em Jerusalém até que a promessa se cumprisse. Deveriam esperar. João batizou com água, mas dentro de poucos dias eles seriam batizados com o Espírito Santo. Algo extraordinário estava para acontecer.

Cinquenta dias após sua ressurreição, e apenas dez dias após a sua ascensão aos céus, estavam todos reunidos num só lugar. Eram cerca de 120 pessoas. Como de costume, eles se reuniam sempre em oração. Mas aquele dia, o dia de pentecostes, estava longe de ser comum! Veio um som do céu, como de um vento muito forte, que encheu toda a casa onde eles estavam assentados! Sabiam que era celestial. Eles começaram a ver algo que se parecia com línguas de fogo que se separavam e pousavam sobre eles. Imagino o misto de palpitação, êxtase, alegria. De repente, cada um deles se viu cheio do Espírito Santo de Deus e começou a falar em outras línguas conforme o Espírito os capacitava.

Línguas de fogo… é como se uma palavra, um testemunho, uma vida, uma verdade queimasse e, como numa explosão, precisasse ardentemente ser liberada. Muitos viram e ouviram tudo. Alguns maravilhados e perplexos, outros debochavam acusando de estarem bêbados.

Esse é o marco inicial da igreja cristã, a igreja de Jesus Cristo. Agora o divino não habitava mais com eles, habitava dentro deles. O reino, o governo de Cristo estava estabelecido no coração do homem. E o Espírito Santo os impulsionava a ir e não mais se calar. Era a profecia do profeta Joel vindo à existência:

“Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre todos os povos. Os seus filhos e as suas filhas profetizarão, os jovens terão visões, os velhos terão sonhos. (…) Mostrarei maravilhas em cima no céu, e sinais em baixo, na terra: (…) E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo!”

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Glossário.

Igreja Apostólica: referente à igreja na época dos apóstolos, ou seja, até a morte do último dos 12 apóstolos, João, por volta do ano 100.

Messias: Cristo; o ungido; Príncipe do Reino Celestial.

Pentecostes: (a.C.) festa judaica estabelecida e celebrada desde o tempo de Moisés; (d.C.) assim como diversos ritos do antigo testamento se referem a algo que estava ainda por vir, nesse caso, o pentecostes se refere ao acontecimento descrito em Atos 2, o batismo no Espírito Santo e início da igreja cristã.

Introdução

Author: susanadeoliveira

Neste caderno quero me dedicar a falar um pouco sobre a história da Igreja. Porque me parece que, em alguns momentos, a história da igreja não é, de fato, a história da Igreja. E os que se dizem Igreja por aí, pouco sabem a respeito de sua história. Tantas vezes pecamos por falta de conhecimento… Ou caímos nos mesmos erros de nossos pais ou então “cuspimos no prato depois de comer dele”. Eu vou me explicar.

Após apenas um século depois da formação da Igreja estabelecida por Jesus e seus apóstolos já podemos perceber diversas distorções, tamanhos desvios do evangelho pregado e vivido por eles. Em pouco tempo, e ainda mais ao longo dos séculos, percebemos não mais aquele organismo vivo, santo e cheio de misericórdia e graça fundado pelo nosso Amado, mas uma instituição rígida, gananciosa, cheia de orgulho e desejo pelo poder.

O desconhecimento desses fatos leva-nos a cair nos mesmos buracos, cometer os mesmos erros, agir com tamanha estupidez diante de Deus. Claro, afinal somos os mesmos. A mesma natureza caída, o mesmo orgulho, a mesma ganância, o mesmo egoísmo de sempre. Somente Jesus, o Cristo, pode nos dar uma nova natureza através de sua vida implantada em nós e, conjuntamente, o nosso eu sendo mortificado a cada dia por decisão e ação própria.

E é obvio também, que, ao longo de nossa história, houveram lampejos brilhantes, lindíssimos, que só poderiam ter vindo do alto mesmo! Mas por desconhecê-los, muitos chegam a cuspir na face de pessoas extraordinárias, servos piedosos de Deus, que em seu tempo marcaram a história e inspiram tantos cristãos verdadeiros até o dia de hoje. (A história desses, na verdade, devo citar por aqui, porém desenvolver com mais atenção num outro caderno: a nuvem.)

Minha peregrinação começa aqui. De uma história que conheço apenas de longe, em linhas gerais, espero começar ali, nos dias de Jesus e seus apóstolos, e chegar até os dias de hoje com, no mínimo, um caráter pouco mais aperfeiçoado e um pouco mais de temor no meu coração. Será um prazer tê-lo aqui, junto comigo. Seus comentários serão sempre preciosos.