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Para onde se inclina?

Author: susanadeoliveira

Pois Deus não nos deu Espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.
2 Timóteo 1:7

Perfeito! Deus não nos deu um Espírito de covardia! E, repare, não um Espírito de poder ou amor, mas um Espírito de poder somado ao amor em perfeito equilíbrio! Não um Espírito inoperante ou improdutivo, nem um Espírito corrupto ou egoísta. Ao contrário, um Espírito de autoridade e vida, de amor e perfeita harmonia. Espírito de paz.

O covarde é aquele sujeito temeroso demais para agir. Medos, dúvidas e apreensões o dominam e o fazem inoperante. Falta-lhe ou sobra conhecimento?! Sua insegurança o deixa paralisado diante das situações. O covarde pode até ter ares de superioridade quando, ao polemizar um assunto, tira de si a responsabilidade de qualquer ação já que tudo é tão complexo nessa vida, ele se desculpa. Pura vaidade. Também pode ser o sujeito depressivo, mergulhado em suas amarguras de estimação, ressentimentos, traumas, síndromes, solidão, doenças, etc. Puro egoísmo e autocomiseração.

Não, o Espírito que Deus nos deu não é de covardia! Mas de poder. Poder no sentido primeiro e imaculado (sei que o sinônimo mais próximo de poder nesse pais verde e amarelo se tornou corrupção, mas vamos voltar às origens, ok!?) É possível que alguns logo relacionem o poder do Espírito com a questão dos dons espirituais. E talvez outros façam uma relação mais imediata com o conhecimento e a autoridade. O fato é que podemos facilmente relacionar a palavra poder com os significados de conhecimento, faculdade, influência, autoridade, posse, atribuição, força, vigor e possibilidade. Ou seja, tudo isso o Espírito Santo de Deus pode nos dar! Tudo isso que olhos viram e ainda não. Mas não passará de vaidade caso todo esse poder não seja canalizado para o objetivo puro e santo do coração de Deus para cada um de nós: a prática do amor.

Sei que é preciso desprendimento e coragem para pratica-lo. E uma boa dose de simplicidade. Sim, porque se permitirmos, as preocupações dessa vida nos sufocam! Para amar além das palavras é preciso desprendimento, investimento de tempo, dinheiro, dedicação. É preciso coragem para fazer algo sem esperar em troca. Fazer pelo outro. Pode não haver reconhecimento, pode haver até rejeição! E é preciso simplicidade para abraçar um desafio que possivelmente não vai mudar o mundo, não vai aparecer no jornal, mas pode marcar ou mudar a vida de uma pessoa.

Porém, a vaidade também fica a espreita. O sujeito que pratica a caridade pode facilmente ser dominado pela vaidade ao se considerar superior aos outros e/ou autossuficiente. Deus é amor. (1 João 4:8) Sua natureza, sua essência é o amor. Nós dependemos dessa fonte que nos sara a cada dia do nosso egoísmo e orgulho doentios. Não há um justo, nenhum sequer! (Romanos 3:10) Aquele que se considera bom, não encontra em si erro, não consegue perceber sua pobreza, sua nudez! Ele não diz, mas com suas atitudes está proclamando que não precisa do sacrifício de Cristo. Ele não tem falhas, portanto não precisa de perdão ou salvação. Ele já é bom, já é suficiente. Que engano terrível! Quem rejeita o filho, rejeita o Pai. (Lucas 10:16 e Mateus 10:32,33) E tudo isso é uma grande vaidade.

Por vezes sou o covarde, tão covarde. Por vezes me sinto superior, seja em conhecimento, seja na prática do amor. E a triste conclusão é que isso quer dizer que muitas vezes sou pura vaidade! Paulo tinha razão, “Miserável homem que sou! Quem me livrará do corpo desta morte?” (Romanos 7:24) A resposta é Jesus Cristo. “Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus, que não andam segundo a carne, mas segundo o Espírito(…) Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.” (Romanos 8:1,5-6)

Gracioso é o amor de Cristo! Em Cristo recebemos esse selo, o Espírito Santo de Deus. Então, voltemos o coração para o Espírito! Voltemos! Vamos nos arrepender dia após dia e produzir frutos que mostrem esse arrependimento! Ainda que imperfeitos e tão disformes, seja a nossa inclinação para as coisas do Espírito de Deus! Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio.